Texto de José Rente, enviado no dia 09.09.2009 . Outras participações para: opiniaogranjense@gmail.com
UM GRANJENSE CANDIDATO A DEPUTADO
Ao ter conhecimento da inclusão nas listas a deputado de um Granjense em posição cimeira, não posso deixar de me congratular com tal facto e de apoiar tal decisão. Apoiaria tal decisão, independentemente do Partido a propor um Granjense para deputado. Porque a Granja merece. Porque tal pode contribuir para a realização das obras de que a Granja está tão carente.
No entanto, sabendo das qualidades do candidato em causa, pessoa que já deu provas de ser capaz de trabalhar em defesa dos interesses da terra, pessoa com capacidade de trabalho e sobretudo bom senso, congratulo-me com a escolha acertada que foi feita.
Tal facto de termos um candidato a deputado que reside na Granja, influencia necessariamente o meu sentido de voto. Mas se tal facto me parece relevante, entendo que não deve ser o único determinante que deve influenciar o meu sentido de voto.
Nessa análise, procurei, num exercício necessariamente subjectivo, outros “sinais” influenciadores por forma a alicerçar a minha orientação de voto nas próximas eleições legislativas. E procurei tais sinais na análise aos diversos programas eleitorais, com vista a identificar pontos de convergência com a minha forma de pensar, sobre duas questões que me parecem importantes para a futuro .
É esse exercício, necessariamente subjectivo, que entendo dever partilhar com os granjenses através deste Site: Opinião Granjense.
Vejamos então tais exemplos, na procura de “sinais” de convergência com o que entendo conveniente em duas matérias que considero essencial para vencer os desafios que se nos deparam.
Economia / Emprego e Competitividade
A economia deu já sinais de retoma. A diminuição do desemprego, historicamente, tem algum atraso em relação aos sinais de retoma, pelo que só no próximo ano, o reflexo da retoma se fará sentir nos números do desemprego. A diminuição do desemprego, é o grande desafio que o próximo Governo terá que enfrentar.
Vejamos então, resumidamente, como o enquadramento da temática do emprego e competitividade obedece a um modelo coerente, como resposta ás soluções necessárias para ultrapassarmos os desafios actuais, e permitam-me o exercício livre de interpretar de forma muito pessoal e por isso subjectiva, o sentido de prioridade que lhe é conferido nos diversos Programas em confronto. Como forma de criar mais postos de trabalho, torna-se necessário aumentar a competitividade das nossas Empresas, de forma a que satisfaçam um dos princípios da sua existência, o principio da continuidade.
Mas afinal o que é a Competitividade? Como medir a Competitividade? Podemos definir Competitividade, com base em salários baixos? Podemos definir Competitividade apenas com base nas exportações? Que sectores da economia eleger como mais competitivos? Procuremos as respostas para estas questões. É consensual que a competitividade de um país é de extrema importância para a melhoria do padrão de vida dos seus cidadãos. Existem várias abordagens para a definição de competitividade. A mais simples e difundida, é aquela que a relaciona com o desempenho das exportações. Mas o fenómeno da globalização não permite já uma análise tão simplista. A globalização é um fenómeno multidimensional e estruturado. Ele envolve simultaneamente a mobilidade de bens e serviços, a mobilidade das actividades produtivas, a mobilidade das tecnologias e a mobilidade dos homens. Ora, na aldeia global em que hoje nos situamos, definir competitividade com base nas exportações, é um jogo de soma nula, pois se uma região ganha, outra deve necessariamente perder (Porter, 1990).
A Competitividade baseada exclusivamente nas exportações é redutora. Devemos definir competitividade com base em salários baixos? Evidentemente que não! Os países que apostam em salários baixos como vantagem competitiva, não obterão mais que uma vantagem temporal e efémera, nunca obterão uma vantagem competitiva sustentada, pois jamais serão inovadores. Além do mais, Portugal não será mais, felizmente, competitivo com base em salários baixos. Há muito que abandonámos o pelotão dos mais mal pagos. Seria completamente errado e socialmente condenável, definir competitividade com base em salários baixos, pois jamais contribuiriam para a melhoria das condições de vida dos cidadãos. A Competitividade baseada em salários baixos é errada e socialmente condenável. Como definir então competitividade? A competitividade, segundo Porter, deve contribuir para a melhoria das condições de vida de uma nação (ou região).
Assim, para entender e poder mensurar a competitividade, deve-se entender e mensurar como ela influencia o padrão de vida de um País (ou região), que pode ser explicada por quatro atributos:
1. As condições de factores: dizem respeito à dotação de recursos necessários para que um País (ou região) possa competir com as demais. Assim, nesta condição, entram os Recursos Humanos, recursos físicos, infraestruturas, matérias-primas, culturas, etc.
2. As condições de procura: as condições de procura referem-se à qualidade do mercado comprador doméstico (do país). Num mercado exigente e sofisticado será mais fácil, para as empresas de um país adquirirem vantagem competitiva em relação aos demais, pois isso estimula a melhoria dos produtos e processos, estimulando também a inovação.
3. Existência de indústrias correlacionadas ou de apoio: diz respeito à condição das indústrias abastecedoras e relacionadas com a indústria. A presença no país de fornecedores competitivos permitindo um acesso rápido aos recursos necessários, contribui para o aperfeiçoamento do sistema produtivo.
4. Estratégia: refere-se ao ambiente no qual as empresas nascem, à forma como são organizadas e dirigidas e, também, ao modo pelo qual se estimula a rivalidade interna. Um ambiente de rivalidade entre empresas é propício para a competitividade, pois gera incentivos para a construção de estratégias, que melhoram a eficiência das empresas.
Estratégia,estrutura e rivalidade entre Empresas
Condições dos factores
Condições de procura
Indústrias conexas e de apoio
Estas quatro condições essenciais, a que Porter designou como diamante da competitividade, valem como um todo, já que nenhuma das quatro pontas do diamante, substitui a falta de qualquer outra. A qualidade dos Recursos Humanos como capital distintivo das empresas é fundamental. Só atendendo a esta matriz social, é possível definir correctamente competitividade.
Em resumo: A competitividade não pode nem deve ser equacionada com base em salários baixos ou em função apenas do volume das exportações. A competitividade tem de atender à forma como contribui para a melhoria das condições de vida das populações locais Com base nesta definição de competitividade, que atende à qualificação dos recursos humanos e à melhoria das condições de vida dos cidadãos, é acertada a escolha, para o desenvolvimento prioritário, dos sectores das energias renováveis, da indústria dos moldes, das tecnologias de informação, fileira floresta-madeira-móveis, a exploração económica do mar ou a aposta no turismo. Temos recursos, temos conhecimentos, temos consumidores, temos tradição nesses sectores. Parece-me perfeitamente acertada a eleição destes sectores como prioritários e merecedores de incentivos e desenvolvimento.
Descentralização e Reforma Administrativa
A Necessidade da Regionalização
Não tenhamos dúvidas de que, no próximo ciclo legislativo, a questão da regionalização dominará a agenda política. Mas como definir uma região? O que é uma região? Tenho para mim que uma região não é apenas uma superfície, um chão, uma plataforma onde se instalam as empresas. Uma região não é apenas uma entidade bidimensional, uma superfície com comprimento e largura. Uma região é uma entidade tridimensional. E a terceira dimensão de uma região, advém do empreendedorismo, das capacidades de mobilizar, da sedução para captar investimento. A terceira dimensão, advém da capacidade empreendedora das suas gentes, da qualificação dos Recursos Humanos. As preocupações com os problemas de desenvolvimento regional resultam do facto de se ter a consciência que o desenvolvimento deve ser feito de forma equilibrada entre as diversas regiões por forma a que, por um lado, os habitantes de uma região não tenham que se deslocar à procura de emprego, e por outro, que as áreas interiores do país não fiquem desérticas. Estas preocupações levam em conta, não apenas os efeitos sociais nefastos da concentração da actividade económica no espaço geográfico, mas também o aumento dos custos sociais que resultam da concentração populacional nas áreas metropolitanas. E no advento da regionalização, entendo que se devem combater as assimetrias regionais, nivelando o grau de desenvolvimento das sub-regiões que farão parte de uma mesma região, como forma de permitir, quando a regionalização chegar, a adopção de medidas gerais e uniformes, por forma a que toda uma região se desenvolva a velocidade constantes e segundo programas gerais. Digamos que há que fazer um trabalho preparatório como forma de enfrentarmos a chegada da regionalização sem sobressaltos. Importa pois combater desde já as assimetrias regionais, por forma a evitar a existência de vales de subdesenvolvimento, de depressões, que dificultem depois a adopção das soluções mais gerais. Ganha pois particular importância o combate às assimetrias regionais, processo que se deseja baseado na descentralização de competências para os municípios.
Em resumo: A regionalização permitirá a aproximação do poder decisório ao cidadão. Assegurará a fixação das populações nas regiões do interior e contribuirá decisivamente para a melhoria da qualidade de vida dos portugueses. Não tenho dúvidas que a questão social, é o vínculo distintivo mais visível e diferenciador dos diversos Programas em confronto. Até porque, tenho para mim, que em períodos de crise económica, o investimento mais seguro, é aquele que aposta nas pessoas, na formação no empreendedorismo. Torna-se necessário investir, de forma a atender á matriz social que permita a criação de emprego e recuperação da economia. Se não for o Estado a assumir a realização das obras que permitam a “alavancagem” da economia, não haverá mais ninguém a fazê-lo. Numa conjectura económica, onde as poupanças diminuem, as exportações se retraem, o investimento privado diminui, cabe ao Estado, aumentar os gastos públicos, animar a economia, criando emprego, fazendo apelo a parcerias público/privadas. (sedução ao investimento). Analisando tais “sinais” que me ajudaram a alicerçar o meu sentido de voto, neste exercício necessariamente subjectivo e por isso mesmo passível de contraditório, verifiquei a sua plena compatibilização com o facto inicial de análise: Os Granjenses têm um motivo adicional para participar nas próximas eleições legislativas. Temos um candidato a deputado, residente na Granja do Ulmeiro, pessoa de reconhecida capacidade e qualidades humanas, que muito pode ajudar na concretização dos anseios colectivos da comunidade granjense.
Decididamente, eu já decidi (passe a redundância).
José Rente